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O Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva (NESC), Órgão Suplementar do Centro de Ciências da Saúde da UFRJ, foi criado em 1989, com base na resolução nº 19/01/1989 do Conselho Universitário, se constituindo desde então em um novo espaço que, cada vez mais, foi incorporando especialistas de vários domínios disciplinares.

Esta constatação se dá em um contexto de intenso debate e mudanças nas práticas de reflexão e na organização do sistema de saúde brasileiro, fazendo com que o NESC fosse se consolidando sob um duplo desafio: constituir-se enquanto unidade de produção e difusão de conhecimentos na área de saúde coletiva e contribuir para as reformas da área da saúde. Portanto, as demandas que perpassam o NESC são oriundas, por um lado da necessidade de encontrar respostas às aceleradas transformações desta área de conhecimento e por outro das exigências da produção acadêmica.

Ao longo dos anos oitenta, com a ampliação das atividades do Serviço de Ação Comunitária do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), no qual ficavam localizados os profissionais do campo da Saúde Coletiva, evidenciou-se a necessidade de criação de uma unidade específica que contemplasse esta expansão, tanto quanto ao perfil diversificado dos profissionais componentes, quanto à complexidade e interdisciplinaridade que caracterizam esta área de conhecimento e prática. Ao longo de mais de uma década em que vem se consolidando, o NESC/UFRJ tem como missão o desafio de contribuir para a construção de práticas que superem as distorções presentes no atual modelo de assistência, sobretudo através da formação de profissionais de saúde capazes de reconhecer e considerar a complexidade das questões com que lidam além de subsidiar práticas mais eficazes voltadas à saúde no nível coletivo.

Tais marcas de origem: as tensões teóricas e a necessidade de encontrar respostas às aceleradas transformações setoriais perpassam diferentes etapas de uma trajetória, ainda que breve, profícua e singular do NESC/UFRJ. O entrelaçamento entre os desenvolvimentos alcançados ao longo destes ciclos, cada qual caracterizado por um conjunto de problemas não resolvidos, revela simultaneamente o potencial de atuação da instituição e seus impasses.

Portanto, em 2005, ao completar 15 anos de existência, pode-se constatar os resultados de um investimento incessante tanto na expansão de sua atuação quanto na qualificação de seus técnicos e na titulação de seu corpo docente, sendo praticamente todos doutores na atualidade. O NESC, hoje, é constituído por profissionais procedentes de distintas áreas e sub-áreas da saúde e outras externas a ela. Essa interdisciplinaridade, que vem se ampliando desde a sua criação, lhe confere uma identidade diferenciada no âmbito do ensino, da pesquisa e da extensão universitária, possibilitando, ainda, a colaboração com vários cursos de graduação e pós-graduação que fazem interfaces com objetos da Saúde Coletiva.

Enfatizamos que, durante os quinze anos de existência da nossa Unidade, diversas linhas e projetos de pesquisa fortemente vinculados à extensão e formação de recursos humanos para a rede pública de serviços de saúde caracterizaram sua trajetória - um percurso marcado pela participação ativa nos grandes debates travados no campo, confirmando a sua vocação: ser uma unidade acadêmica em constante diálogo com o movimento sócio-sanitário, buscando contribuir para o enfrentamento dos crescentes desafios que se apresentam no cenário da Saúde Pública Brasileira.

Durante a implantação do NESC, desenvolveram-se relevantes projetos de pesquisa e extensão, como os financiados pela Fundação Kellog, visando à elaboração de modelos assistenciais regionalizados e hierarquizados, se constituindo como um dos pólos de atração e formação de pesquisadores na área de saúde coletiva. A unidade foi então ampliando seu quadro de pessoal técnico. e implantando uma política de priorização da formação de pessoal. Além disso, enquanto muitas instituições do ensino superior extinguiam seus programas de residência em Medicina Preventiva e Social, o NESC criou e ampliou o número de vagas para residência em Saúde Coletiva, por entender a importância desse profissional para os serviços de saúde. A unidade investiu também na melhoria das instalações físicas com a reforma e construção de novas salas de aula e a implantação do Laboratório de Informática para Graduação - LIG.

   
Projeto de Avaliação dos Impactos do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara sobre as Condições de Saúde e Qualidade de Vida - PAISQUA

Em setembro de 1995 o Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva da UFRJ iniciou os trabalhos do "Projeto de Avaliação dos Impactos do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara sobre as Condições de Saúde e Qualidade de Vida - PAISQUA". Este projeto foi fruto de um convênio entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ) e a Fundação Universitária José Bonifácio, com a interveniência do Governo do Estado do Rio de   Janeiro através da Secretaria de Ciência e Tecnologia (SECTEC), da Secretaria Estadual de Saúde (SES), da Secretaria de Obras e Serviços Públicos (SOSP), da CEDAE (responsável pela coordenação do PDBG), e da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Coube ao Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva (NESC/ UFRJ) a execução do projeto.

Trabalhando em conjunto com as instituições públicas envolvidas no convênio e junto às instituições municipais, instituições universitárias, entidades civis representativas e comunidade, a equipe de pesquisadores procurou apreender as propostas do PDBG, visitou locais de atuação do programa


Entrevista

e selecionou 2 municípios para o desenvolvimento de estudos mais detalhados: Duque de Caxias e São Gonçalo. Também foram realizados estudos na Colônia Z-10, na Ilha do Governador, município do Rio de Janeiro. Em seu conjunto, o projeto abrangeu:

  1. Características geográficas do ambiente
  2. História da ocupação humana
  3. Nível de organização social
  4. Problemas sociais e urbanos identificados pela comunidade
  5. Cobertura de serviços urbanos (água, esgoto, luz, transporte, serviços de saúde, etc.)
  6. Cobertura e qualidade da água de consumo (rede e poços)
  7. Oferta e demanda de serviços de saúde
  8. Internações hospitalares por causas específicas em menores de 5 anos
  9. Mortalidade infantil por causas específicas
  10. Mortalidade em menores de 5 anos por causas específicas
  11. Incidência de doenças de notificação compulsória (doenças de veiculação hídrica)
  12. Prevalência de parasitoses intestinais
  13. Prevalência de hepatite A
  14. Características sócio-econômicas e sanitárias dos domicílios e peridomicílios

O Programa da Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG) parte do diagnóstico das condições atuais das águas da baía, prossegue terra adentro, contornando suas já irreconhecíveis margens e sobe os rios que nela desembocam e a contaminam. O PDBG concentra um grande investimento em ações do tipo macroestrutura de saneamento básico, macrodrenagem de rios, captação, destinação e tratamento de resíduos sólidos, mapeamento digital e projetos ambientais na região metropolitana do Estado do Rio de Janeiro, embora signifique ainda, um primeiro e tímido passo no processo de recuperação do ecossistema (RIO DE JANEIRO (estado),1995). Nesse programa, treze municípios, localizados no entorno da Baía de Guanabara, receberão intervenções ambientais que bem poderiam ser comparadas, em alguns casos, a correções cirúrgicas em serviços urbanos historicamente deficientes, em outros, a terapias de longo prazo.

 
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